Ainda sobre Processos Demenciais …

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Por Álvaro Nicolau
Neuropsicólogo, atua diretamente com adultos e idosos

Em psicopatologia, o declínio cognitivo global é chamado de demência. Sua origem é do latim (dementia) significando, de forma genérica, qualquer deterioração mental. É um conceito amplo que inclui deterioração das habilidades intelectuais, da memória, da orientação, do pensamento e do comportamento. Essa deterioração representa um declínio das funções cognitivas adquiridas anteriormente. Em outras palavras, as demências caracterizam-se por apresentarem múltiplos déficits cognitivos, em especial, déficit de memória, devido a problemas orgânicos, tóxicos ou por múltiplas etiologias. Tais déficits comprometem o funcionamento ocupacional, social, educacional e representa um declínio significativo em relação a um estado anterior de funcionamento do sujeito (APA, 1995).

Quando mencionamos demência, estamos falando em um conjunto de sintomas que afetam diretamente a qualidade de vida da pessoa, levando a problemas cognitivos, de memória, raciocínio e afetando, também, a linguagem, o comportamento e alterando a própria personalidade. É evidente que a perda da função cerebral é uma condição que ocorre na demência. Por outro lado, o envelhecimento da população ocasiona o aumento das doenças degenerativas, em especial da Doença de Alzheimer (DA). Portanto, a compreensão do processo de transição do envelhecimento saudável para a DA é importante e precisa ser reconhecido por marcadores neuropsicológicos, e estudos mostram sua importância sugestiva de identificação precoce da DA.

No caso das demências indicamos o reconhecimento dos estudiosos pelas características de especial importância, que é o rebaixamento da memória. Mas o que é memória? Em que base ela é estudada? O indicativo é de que a memória corresponde à retenção dos conhecimentos adquiridos sobre o mundo. Ela transforma o passado em presente. Por outro lado, estudos mostram que a memória declina com o envelhecimento e pesquisadores são desafiados a explicar tal fato. Certamente que, embora com estudos e mais estudos, algumas perguntas ainda aguardam respostas. Uma delas é no caso das falhas de memória e em que circunstâncias podem ser consideradas como passos normais do processo de envelhecer e quando podem ser consideradas indicativos de doenças degenerativas? Segundo Correa (2016) estudos no exterior e no Brasil apontam para a “revolução silenciosa” do envelhecimento da população. Os estudos mostram que em 1950, haviam 214 milhões de idosos com mais de 60 anos no mundo. Em 2025 esta cifra estará em 1 bilhão de pessoas.

No caso do Brasil, a população idosa já passou de 6,1% para 7,3% da população total, o que equivale a 8 milhões de pessoas. Consta pelo IBGE (acesso em 30/05/2018) que, em 2025, o Brasil terá cerca de 34 milhões de pessoas acima de 60 anos, sendo o país com a sexta maior população de idosos em todo o mundo (IBGE, 2002). Mas porque isto é importante? É importante porque o envelhecimento da população ocasiona o aumento da prevalência das doenças crônico degenerativas, entre elas as demências, sendo a de Alzheimer (DA) mais frequente.

Ao entrarmos nos anos 2000, estimou-se a existência de 150 milhões de idosos com demência em todo o mundo (Norton, Marin & Inestrosa,1995). Com base nas estatísticas populacionais brasileiras do último censo, estima-se a prevalência da DA em 1,2 milhão de pessoas, com incidência de mil novos casos por ano.

O impacto socioeconômico da DA é alto, pois é uma doença crônica, de evolução lenta, podendo durar até 20 anos. Nas fases avançadas da doença, o paciente torna-se completamente dependente, sendo incapaz de alimentar-se sozinho, tomar banho ou vestir-se (grande prejuízo no autocuidado). Nos EUA são gastos, anualmente, cerca de 100 bilhões de dólares, em tratamentos, exames complementares e cuidados indiretos com pacientes. Nos EUA o número de demenciados chega a 4 milhões de americanos, com mais de 100 mil mortes por ano. É a quarta causa de morte em adultos. Por outro lado, segundo Norton at al (1995), está estimado em 12 a 14 milhões de pessoas no ano de 2040. No Brasil não há estudos de estimativas sobre gastos, nem de incidências oficiais da DA. Todavia podemos inferir que estes números também são elevados, em função do grande número de idosos e da alta prevalência da doença nessa camada da população. Por tudo o que foi mencionado, é importante a identificação precoce da demência. E a doença de Alzheimer como a mais frequente. Nesse contexto temos o quanto é importante a contribuição da avaliação neuropsicológica na doença de Alzheimer.

No contexto das demências, segundo estudos de  Caramelli & Barbosa (2002)  as  formas mais frequentes são: Doença de Alzheimer, Demência vascular, Demência de Corpos de Lewy e Demência Frontotemporal. A Demência de Alzheimer é a principal manifestação das demências com estudos epidemiológicos indicando que é responsável por mais de 50% dos casos. Ela foi descrita, inicialmente, por Alois Alzheimer, neuropatologista alemão, em 1907, ao relatar o caso de uma paciente de 51 anos que apresentava declínio da memória, acompanhado de vários déficits cognitivos (apraxia, afasia e agnosia) e distúrbios de comportamento. A autópsia revelou extensas lesões cerebrais, com perda neuronal, placas senis e emaranhados neuronais, chamados de fusos neurofibrilares. Kraeplin, em 1910, propôs o nome “Doença de Alzheimer” em homenagem a seu descobridor (Woodruff-Pak, 1997).

Demências e Avaliação Neuropsicológica

Por Álvaro Nicolau
Neuropsicólogo, atua diretamente com adultos e idosos

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São diversas as causas das demências. Entretanto, as doenças degenerativas primárias abrangem a maioria delas. A Avaliação Neuropsicológica contribui com o diagnóstico diferencial e auxilia na avaliação da gravidade do comprometimento cognitivo. Como principal causa da demência primaria temos a doença de Alzheimer, identificando-se comprometimento em testes de avaliação de memória explícita (declarativa, episódica), em destaque das demais áreas cognitivas. Mas existem outras causas de demência. A demência por corpúsculos de Lewy e as demências fronto-temporais, por exemplo, apresentam maior alteração em testes de função executiva. De outra forma, a avaliação neuropsicológica na doença de Huntington revela um comprometimento precoce na memória explícita (dificuldade no processamento de informações). Mas existem outras demências, cujo contexto do exame neuropsicológico não possui, ou apresenta particularidades que as diferenciem.

Nosso propósito, no decurso dos dias, é escrever sobre esse tema, apresentando particularidades e informações sobre as demências e a Avaliação Neuropsicológica nesse contexto.

Demências

É recorrente na clinica Neuropsicológica o atendimento de familiares acompanhando parentes que nos questionam sobre as demências, manifestada como hipótese diagnostica a ser investigada, e sua repercussão na vida do paciente.

Demência é uma síndrome de comprometimento cognitivo e comportamental. Ela tem severidade suficiente para interferir com a atividade de vida diária e a qualidade de vida da pessoa. Estudos mostram a existência de aproximadamente 70 doenças que podem causar demência, entretanto nem todas são progressivas. As demências ocorrem primariamente em fases mais tardias da vida, com uma prevalência de 1% aos 60 anos, dobrando a cada 5 anos até atingir 30% a 50% aos 85 anos (Evans D.A.; Funkenstein H.H; Albert M.S; et al., 1989).

Detectar as causas reversíveis passa a ser ponto de importância porque o medico precisa de um diagnostico preciso para predizer o curso da doença, facilitando o planejamento do paciente e da família quanto a suas atividades sociais, alem disso, a padronização do enfoque diagnostico nas demências e importante na pesquisa clinica, incluindo estudos epidemiológicos e terapêuticos. Assim , o diagnostico preciso das síndromes demências tem seu nível de importância no propósito mencionado acima, quando a Avaliação Neuropsicológica passa a ter seu papel de base na investigação das demências.

Os estudos mostram que são diversas causas de demência, mas a doença da Alzheimer (DA) responde por cerca de 70% (isolada ou em associação) dos casos em países industrializados ( Kokmen E.; Beard C.M.; Offord K.P. and Kurland L.T.1989). Todavia, uma pequena porcentagem dos casos, poderá ser identificada uma etiologia reversível ou tratável como causa de demência, como:doenças da tireóide, neurossífilis, infecções por fungos, deficiências de vitaminas, e lesões estruturais do cérebro como tumores, hematomas subdurais e hidrocefalia. Conforme registro a seguir:

Causas frequentes de síndromes demenciais (Corey-Bloom, 1996):
Doença de Alzheimer (DA); Demência associada com corpúsculos de Lewy; DA e demência vascular (demência mista); Depressão; Demência vascular; Distúrbios metabólicos; Intoxicação por drogas Infecções’; Lesões estruturais; Demência secundária ao álcool; Hidrocefalia; Doença de Parkinson; Demência de Pick e outras demências frontais.

Por outro lado, as doenças degenerativas primárias abrangem a maioria das causas de demência, como será abordado no próximo “escrito/trabalho”, com destaque ao Alzheimer.

Primeira exposição de artes da Clínica Arcadium

No dia 7 de abril de 2018, o psicólogo Leonardo Beijo organizou uma exposição de artes na clínica.

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Os trabalhos desenvolvidos nas sessões foram colocados no mural. As crianças estavam empolgadas e animadas quando seus pais puderam caminhar e interagir com o processo de intervenção deles.

A clínica Arcadium acredita nessas ideias que tiram as intervenções de uma rotina e permitem que as crianças e adolescentes possam descobrir novos universos e talentos.

Parabéns Leonardo pela iniciativa.

Entenda as especificidades de cada linha de atendimento na psicologia

“A Análise Comportamental Clínica é uma abordagem que visa propiciar ao cliente maior autoconhecimento e controle das suas próprias ações. No processo terapêutico busca-se identificar o que causa e mantém os comportamentos, possibilitando planejar passos para a mudança. O cliente é visto de forma complexa e em interação com o seu contexto, exercendo um papel ativo dentro e fora do consultório. A psicoterapia é, portanto, um espaço de acolhimento e escuta do sofrimento, e também de busca pelas potencialidades de cada um considerando a sua singularidade, sua história e suas possibilidades de ação.” Rafaella Vidal, Psicóloga Comportamental.

“A terapia cognitiva comportamental é uma abordagem terapeutica estruturada, diretiva, com metas claras e definidas pelo psicólogo e o cliente, focada no momento presente. A ideia principal é que a pessoa está submetida a situações e a maneira que as sente, pensa e interpreta influencia seu comportamento/ atitude. Por meio do processo de reestruturação cognitiva é identificado pensamentos desadaptativos que são corrigidos permitindo transformação de sua realidade, ou seja, mudando o pensamento e os sentimentos, há mudança dos comportamentos.” Adriana Parreiras, Psicóloga congnitivo-comportamental.

“A psicoterapia existencial é uma abordagem terapêutica com foco na existência e sua relação com as pessoas, os espaços, tempo e consigo mesma. Trata-se de um enfoque mais filosófico que científico e acredita que cada pessoa está em constante movimento e transformação. Cada indivíduo é singular e livre para escolher como viver sua vida, pois nos fazemos, desfazemos e refazemos por meio de nossas escolhas e experiências. Os problemas, as crises e os paradoxos fazem parte da vida, e surgem do simples fato de viver. O objetivo desta terapia não é evitar os conflitos, mas colaborar para que cada pessoa possa lidar com suas dificuldades de maneira mais saudável e autêntica, encontrando novas e diferentes formas de lidar com suas questões. A prática da terapia possibilita uma compreensão mais ampla da pessoa sobre ela mesma, sobre seus sentimentos, pensamentos, valores e expectativas com a vida. O intuito não é conduzir a pessoa para um caminho, mas incentivar o encontro ou criação de novos modos de ser, alinhados com o que valoriza e se sente bem. Aqui não se pretende explicar as questões da vida de maneira biológica, inconsciente ou espiritual, mas se aprofunda na compreensão da existência singular de cada pessoa. Cada indivíduo é respeitado como sendo único e singular, com sua história, seus valores e suas experiências.” Sione Gois, Psicóloga Existencial

Grupo de pais TDAH

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Com o objetivo de ampliar a intervenção para o núcleo familiar, a clínica Arcadium criou o grupo de pais. Esse primeiro grupo visa entender o TDAH e ajudar os pais no cotidiano da criança que tem esse transtorno.

A opinião das mães nos mostra que estamos no caminho certo:

“Muito bom, vai fazer com que a gente conheça mais nossos filhos e ajude no crescimento deles. E, também, colocar limites neles. A cada encontro vamos aprender mais”.

“Achei muito importante e produtivo. O fato de falarmos sobre os nossos desafios que é de lidar com as dificuldades de uma criança com esse transtorno. Dividir experiências e receber orientações vai nos ajudar muito”.

“Muito importante para conhecer o TDAH e ter dúvidas esclarecidas. Acho que poderia ter acontecido a mais tempo, porque é como uma terapia para desabafar e aprender sobre o assunto e como agir com a criança”.

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